Sexta-feira, Agosto 28, 2009
Dever de Sonhar
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.
Fernando Pessoa
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11:49 AM
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Ode ao gato
Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça vôo.
O gato,
só o gato apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa
só como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite .
Oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gato, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e o seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.
Pablo Neruda
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11:36 AM
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Quinta-feira, Agosto 27, 2009
Tá tudo aceso em mim
Tá tudo assim tão claro
Tá tudo brilhando em mim
Tudo ligado
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8:36 AM
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Quarta-feira, Agosto 19, 2009
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11:57 AM
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E a lua, furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas
O nosso chão...
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9:36 AM
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Domingo, Agosto 16, 2009
a beleza está no olhar de quem vê.
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4:19 PM
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Domingo, Agosto 02, 2009
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8:37 PM
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sou amante das coisas simples.
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2:45 PM
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2 ou 3 coisas sobre "A Viagem do Balão Vermelho"
por Juliano Tosi - UOL Cinema
Há muitos motivos para admirar “A Viagem do Balão Vermelho”; listo algumas:
1. Numa entrevista, Juliette Binoche contou como os objetos de cena do filme (de livros até as roupas) foram trazidos pelos próprios atores. Não é um método de filmagem exatamente novo. Mas é incrível como, de alguma maneira, os cenários e imagens do filme têm uma qualidade rara: tudo é discreto e tudo tem vida.
Douglas Sirk dizia que não fazia seus filmes sobre algo, mas com as coisas. Era uma maneira de afirmar que o cinema é a captação da superfície dos seres e objetos, do visível, do concreto.
De um modo diverso, essa ideia ecoa no filme de Hou Hsiao-Hsien. É como se o cinema nada mais fosse do que a arte de tomar emprestado as coisas do mundo: luzes, sons, personagens, ambientes, modos de falar, etc.
2. O enredo, com efeito, é como o ar do balão: pouco ou nada parece acontecer, e, no entanto, está tudo lá, para ser visto.
A única coisa que parece importar é a experiência de reunir elementos diversos e observar o resultado: captar o que acontece, material e visivelmente. As melhores cenas se passam no apartamento de Binoche, a mãe do garoto Simon: bagunçado, meio caótico, um pouco apertado, é o cenário ideal para produzir estes encontros.
3. Se no “Balão Vermelho” original (realizado por Albert Lamorisse em 1956), havia sobretudo uma curiosidade infantil pelo mundo, que levava ao inesperado, aqui temos o outro lado da mesma moeda: um vagar despreocupado com outra coisa que não existir, observar e descobrir.
A invenção da babá chinesa, Song, que veio estudar cinema em Paris, é um pequeno achado: uma personagem com olhar não habituado ao ambiente, novo, sempre curioso. É ela, aliás, que irá fazer a refilmagem do “Balão Vermelho”, um filme muito parecido com o de Hou: de uma depuração e uma delicadeza total.
Infelizmente, estas virtudes parecem cada vez mais fora de moda. É uma pena, mas um dos mais belos filmes recentes – e que mais “necessitaria” da tela grande para ser apreciado em seus muitos detalhes – chega a nós direto em DVD (por enquanto, apenas para locação).
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2:43 PM
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Le Ballon Rouge trailer
http://www.youtube.com/watch?v=hXcL4L6Nubo
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2:23 PM
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